Ozzy Osbourne, “Road to Nowhere”
Eu protelei, protelei o máximo para escrever este texto, mas hoje foi o último dia para isso. Enfim, o luto terminou, com direito a transmissão ao vivo e tudo mais. Eu não assisti, confesso. Preferi ocupar minha mente com outras coisas que não o que tem me deixado para baixo nos últimos dias, desde quando recebi a notícia.
John Michael “Ozzy” Osbourne se foi. Esta é a notícia, este foi o comunicado que acabou com meu dia, minha semana, meu mês… Piegas? Talvez. Sentimentalismo demasiadamente dramático para alguém que nem sequer chegou perto de uma pessoa que, como tudo neste mundo, cumpriu seu ciclo? Pode ser, mas não me importo. Não me importo de assumir que sim, senti a dor. Senti o choque. Senti. Apenas, senti.
Como todo fã, imaginei que meu ídolo seria imortal, que um dia o conheceria e, ingênuo, até fantasiava que tocaríamos alguma de suas músicas juntos, mas confesso que o máximo que eu conseguiria seria chorar copiosamente e compulsivamente, exatamente igual ao Eloy Casagrande quando encontrou o mestre Bill Ward nos bastidores do Back to the Beginning. Fazer o quê? Não o julgo mesmo, eu agiria igual, talvez até mais patético do que apenas olhar para ele e chorar… Bem, o choro veio, não do jeito que eu queria, frente a frente com o mito, a lenda, mas veio incontrolável, mesmo eu tentando disfarçar perto das pessoas.
Chorei, sim. Choro agora, redigindo essas palavras ao som de “Mama, I’m Coming Home” no meu fone. Chorei algumas vezes tentando gravar algumas músicas para manter em homenagem na internet, nos meus canais pessoais. Senti a dor a ponto de não conseguir me concentrar e ter que repetir várias e várias vezes até sair algo decente, que mesmo assim ainda teve erros. A voz embargou, a mente viajou, os dedos e a mão não respondiam…
Sabe, é triste dar adeus assim, de repente, para alguém ou algo que você viu fazendo algo que gostava pouco tempo antes. Está difícil até mesmo concatenar as palavras agora, uma semana depois, nesta carta aberta a alguém que nunca me conheceu, mas que fez parte de muitos momentos da minha vida, cada um desses momentos com sua história particular, uma lembrança que agora, nessa altura do campeonato, não vai fazer diferença para muita gente.
Obrigado, Ozzy, por ter sido um amigo em momentos em que eu não tinha nenhum. Obrigado por alegrar momentos da minha vida em que ninguém estava por perto para alegrar, dividir porções de coisas boas e também coisas ruins. Muitos que conheço não foram tão íntimos quanto você foi para mim. Quando eu precisava, era só colocar uma música para tocar, seja por fita cassete, CD ou MP3, você sempre estava lá.
Me acompanhou na mudança de continente e na volta do fracasso, no sonho de mudança de vida e até no momento em que tomei decisões que arruinaram esse sonho. Obrigado por sempre ter estado lá, mesmo não sabendo que estava. Mesmo estando alheio a isso tudo.
Obrigado, Ozzy, por ter sido quem você foi. Descanse, amigo. Um dia a gente talvez se encontre lá do outro lado, e aí talvez a gente toque uma de suas músicas juntos.

