O diálogo morreu com um tiro na garganta.
A frase parece forte? Sim, é muito forte. Mas foi exatamente o que aconteceu na última semana: aquele que dialogava, que expunha ideias e procurava debater essas ideias de forma pacífica e respeitosa, foi calado abruptamente.
No dia dez de setembro de 2025, Charlie Kirk foi assassinado brutalmente, sem chance sequer de se defender, por uma pessoa que achava que ele não merecia mais viver porque ousou falar o que pensa e defender isso de forma cordial e respeitosa em debates levados às universidades dos Estados Unidos.
Obviamente, alguns de seus posicionamentos, por ser um cristão conservador, não iriam agradar à maioria “woke” dentro desses campi universitários, principalmente às alas progressistas altamente influenciadas por seus professores, influenciadores digitais, grupinhos do Discord…
Como um relato pessoal, eu sempre fui um militante contra o uso desenfreado dos termos “fascista” e “nazista” como recurso retórico, pelo fato de que, através do uso excessivo desses termos, se esvaziaria o sentido histórico e humanitário, a ponto de se tornarem frívolos como um simples xingamento, uma hipérbole dialética para corroborar um ponto ou ideia, tornando assim aceitáveis práticas desses mesmos regimes por parte daqueles que os esvaziaram.
Uma das armas mais usadas pela esquerda e pelo jornalismo ativista é o argumentum ad Hitlerum, ou seus análogos, o ad hominem abusivo e a culpa por associação. Através de manchetes ou de subtítulos, jornalistas ativistas, militantes partidários e estudantes com viés de esquerda sempre associam a direita ao extremismo dessas ideologias através da retórica e com palavras de ordem, como a já tão conhecida “recua, fascista, recua”.
Mas, depois dos últimos acontecimentos e mesmo depois de avaliar várias ocorrências passadas, percebo que minha preocupação estava focada em um ponto secundário do problema. Não havia esvaziamento do termo, havia proliferação da desumanização e desqualificação forçada do opositor. E é aí que mora o perigo maior, demonstrado recentemente: quando se despersonaliza e demoniza alguém, qualquer atitude contra essa pessoa ou grupo é justificável do ponto de vista de simpatizantes e extremistas do lado oposto.
Durante muito tempo ouvimos de ativistas de esquerda, sejam jornalistas ou apenas pessoas comuns, a pecha de sermos fascistas, nós do campo da direita, simplesmente por discordarmos em qualquer ponto. E este não é um comportamento recente: campos da esquerda e centro-esquerda já foram chamados de fascistas, mesmo estando à esquerda. Nos anos 90 e meados dos 2000, o maior alvo era o PSDB, em falas de Ciro Gomes em uma entrevista à Folha (https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1209200212.htm), do coordenador de campanha do Haddad, como mostra uma matéria do Estadão (https://www.estadao.com.br/politica/pt-classifica-como-fascista-protesto-de-jovens-tucanos-contra-haddad-psdb-reage), ou em notas oficiais do próprio PT contra FHC, como mostra a matéria do Estadão de três de março de 2012 (https://www.estadao.com.br/politica/pt-responde-a-fhc-fascista-e-ele).
Da mesma forma, o próprio Lula e o PT já foram chamados de fascistas publicamente, como nas palavras de Tasso Jereissati (https://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po2009201027.htm), ou de Serra, quando associou Dilma a uma “ditadura fascista” do Irã (https://veja.abril.com.br/coluna/reinaldo/serra-lembra-o-8220-carinho-e-amizade-8221-dos-petistas-com-ditador-8220-fascista-8221-do-ira/).
Associar um opositor ao fascismo sempre foi a tática da esquerda e do ativismo, tanto político quanto jornalístico e jurídico. Recentemente, o ministro do STF Flávio Dino tentou “descriminalizar” o ato de chamar alguém de “nazista” ou “fascista” em um âmbito de retórica política ou ativista, sendo derrotado pelos seus pares. Ainda bem que se tornou voto derrotado, uma vez que normalizar esse discurso seria o mesmo que avalizar o incentivo retórico ao assassinato e à violência como meios legítimos de defesa da “democracia” e dos direitos civis.
Mas, mesmo assim, esse ativismo espúrio continua. Jornalistas insistem em associar Charlie Kirk ao extremismo, mesmo sendo o ato mais extremista de Kirk o sentar e conversar. Debater ideias: isso é o que ele defendia.
Uma das frases que ouvi de sua boca e que, se fosse dita por qualquer outro ativista dos direitos humanos e da conciliação entre classes e ideais políticos, seria legitimada e até imortalizada nos anais da história, é: “Quando paramos de conversar é que a violência acontece, é onde as guerras civis acontecem, porque começamos a achar que o outro lado é tão mal que já perdeu sua humanidade.”
Essa frase deveria ser escrita em pedra e alçada ao ponto mais alto de onde pudesse ser lida por todos que tentassem, um dia, radicalizar qualquer posição. Porém, estas palavras se perderam no ar, nunca mais serão lembradas, parafraseando Roy Batty: “todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva”.
Mas, de volta ao cerne do artigo, já não é segredo que a maior arma da esquerda é a polarização e a desumanização de seus opositores, desde a época de Marx. A divisão da sociedade em classes bem definidas foi uma ideia dele com Engels, em que, após mostrar como a classe burguesa explorava a classe trabalhadora, começaram a incitar a luta das classes e a tomada do poder via força armada.
Bem, historicamente, isso culminou na revolta bolchevique e no assassinato da família Romanov e de seus criados; quem diria que pessoas influenciadas pela ideologia marxista iriam se tornar assassinas frias e cruéis, não é verdade?
Pois bem, essa sanha assassina continua até hoje; porém, como é necessária uma desculpa bem dada para que haja uma justificativa à violência cometida, esses mesmos extremistas começam a associar seus opositores a todo tipo de crimes hediondos cometidos contra a humanidade e a ideologias assassinas: o fascismo e o nazismo. Nada mais eficaz do que associar seu inimigo a algo que todos os outros abominam.
Através dessa demonização do interlocutor, começa a se tornar compreensível qualquer atitude extrema e violenta tomada, incluindo o assassinato cometido contra Charlie Kirk, um homem cujo maior ato de extremismo foi sentar-se em um palanque nas faculdades americanas e fazer e responder perguntas.
Interessante que o extremista era o que dialogava e não o que tirou de duas crianças o direito de crescer com seu pai. Extremista era o que tentou trazer razão a um mundo irracional e não aquele que calou o diálogo com um tiro certeiro na jugular.

O Tiro que Calou a Liberdade de Expressão
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