Um Quase “chega, não aguento mais”…

ATENÇÃO: O texto à seguir é um desabafo genuíno, mas que não procura resposta, apenas externar algo que está prestes a explodir no interior do autor. O autor não encoraja de forma alguma o suicídio ou formas similares de auto-punição (contraditório, eu sei, mas é a verdade).

Eu estou tão descrente de tudo que pode vir da vida, que este texto já começou de uma forma mais pessimista do que qualquer outro texto escrito por Schopenhauer ou Nietzsche.
Queria poder escrever aqui: “A vida é uma piada sem graça, onde nós somos uma experiência deixada a esmo, e o punchline é o universo descobrindo mil e uma maneiras de foder com a gente.”
Sim, eu escrevi “foder”, com todas as letras possíveis que poderiam caber nessa palavra, porque eu estou desiludido. Talvez pelo motivo mais egoísta que seja, mas quem não é?
Em algum lugar do Brasil, alguém acabou de ganhar 96 milhões de reais. A pergunta que não se cala é: por que ele e não eu? Qual o critério do universo para escolher um “cara” de uma cidade com pouco mais de cem mil habitantes, PIB menor que dez por cento do prêmio da Mega-Sena acumulada, para ganhar um prêmio que, em algum lugar do Brasil, poderia fazer um bem muito maior?
Mas a indignação não para por aí. Enquanto em todo canto desponta um “pastor mirim” alegando comprar uma mansão de trinta e seis milhões, explorando a fé de várias pessoas e pedindo PIX em rede social, do outro lado tem um pai de família que não sabe de onde vai tirar o dinheiro para passar o mês seguinte, se vai conseguir manter o filho autista em uma instituição de ensino que possa dar um pouco mais de qualidade do que as escolas públicas com qualidade merda que o Estado insiste em dizer que são modelo.
Surge, então, a pergunta: de que adianta a honestidade? Qual o sentido de se manter uma moral, uma ética? No final, o que se ganha é uma “banana” do universo. Quando alguém se apega no pouquinho de esperança de que algo acontecerá que mudará sua má sorte, má fase, ou seja lá o que de ruim esteja acontecendo na sua vida, a lua te olha, solta um risinho debochado, depois a existência toda começa a rir da sua esperança e fé depositadas em algo que não te trouxe retorno algum.
Os olhos embotam d’água, escrevendo esse texto. Mas a chicotada ora recebida lembra este autor que lágrimas nada mais são do que um escape da alma para poder continuar recebendo mais chicotadas enquanto chora…
Através dessa constatação, o que resta a este autor é remoer essa mágoa, “engolir o choro”, como diria um pai ou mãe que repreende, e aceitar que não adianta chorar. Aceitando isso, o olho molhado seca e a vontade de chorar passa.
Bom, parece reconfortante, mas é piegas demais saber que essa dor, esse desânimo, se tornará um texto bonito e que ninguém irá ler, com certeza. Talvez meia dúzia de gatos pingados.
Exatamente igual às orações erguidas, mas nunca respondidas. Alguém as receberá; se haverá alguma resposta, quem sabe. Orações são para Deus, ou deuses, ou para qualquer um que queira escutar. Tornaram-se, até, categoria gramatical. Que ironia.
Engraçado é encarar isso tudo de uma ótica cristã – ou, pelo menos, tentar. O ponto instigante é saber que, em alguns momentos, uma força, talvez divina, talvez só o universo querendo desfrutar mais um pouco do seu brinquedo — na verdade, um dentre vários… Nunca saberei responder essa pergunta. Ou, talvez, quando acabar essa existência, uma resposta eu tenha.
Mas, enfim, encarar isso tudo de uma ótica que emerge do fundo, mas não conseguindo sentir uma raiva completa — talvez por medo ou por respeito —, mas ainda assim sentir raiva.
Isso, talvez, é o que faz a gente desabar. E chorar copiosamente, para depois voltar a si, tomar um gole de cerveja e se aprumar como “homem”. Afinal, desabar em lágrimas, choro e desilusão não vai mudar nada da realidade atual. Isso é empírico.
Tanto é verdade que agora o autor enxugou suas lágrimas — várias, inclusive — e voltou a raciocinar, a entender que “tanto faz”. Chorar, rir, ser indiferente… Sua ética e moral não o deixam partir para medidas drásticas. Isso já foi tentado uma vez — não deu muito certo.
Ele apenas entende que, como um inseto que voa em busca da sua fonte de alimento, vaga em um imenso nada, um caos extenuante que o irá forçar, sempre, a decidir entre isso ou aquilo, direita ou esquerda, avançar ou retroceder; mas, no fim, só resta o “tanto faz”. No final, só vai restar a risada cínica do universo na sua cara, mostrando quão inútil foi se debater, buscando uma alternativa para a amargura que agora toca como um tecido de veludo carmim, que o envolve e mostra que, de alguma forma, Deus não está nem aí.
No fim, a única pergunta que resta é: forte demais para continuar avante e resistir às agruras, ou covarde demais para simplesmente dar cabo de tudo e findar o experimento?

Avatar de Luiz Costa

Published by

Categories: